Receber o diagnóstico de Doenças Inflamatórias Intestinais muda completamente a rotina do paciente. Após o início do tratamento, uma das dúvidas mais comuns é: “Estou realmente controlado?” ou “O que significa estar em remissão?”
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são condições crônicas caracterizadas por períodos de atividade inflamatória e períodos de controle. A remissão é justamente o objetivo central do tratamento moderno.
No entanto, estar sem dor ou sem diarreia não significa necessariamente que a inflamação intestinal está totalmente controlada. Portanto, hoje, a medicina utiliza critérios clínicos, laboratoriais e endoscópicos para avaliar se a Doença Inflamatória Intestinal está realmente estável.
Neste artigo, você vai entender:
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O que é remissão nas Doenças Inflamatórias Intestinais
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Quais são os diferentes tipos de remissão
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Como saber se sua doença está controlada
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Quando pode haver perda de remissão
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Por que o acompanhamento contínuo é essencial
Portanto, se você convive com Doenças Inflamatórias Intestinais e deseja compreender melhor seu estágio atual da doença, continue a leitura.
O que são Doenças Inflamatórias Intestinais?
As Doenças Inflamatórias Intestinais são enfermidades caracterizadas por inflamação persistente do intestino causada por uma resposta imunológica desregulada.
Elas se dividem principalmente em:
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Doença de Crohn, que pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal.
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Retocolite Ulcerativa, que afeta predominantemente o cólon e o reto.
As Doenças Inflamatórias Intestinais evoluem de forma cíclica, alternando entre:
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Fase ativa (crise)
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Fase de remissão
O tratamento moderno busca prolongar ao máximo os períodos de remissão.
O que significa remissão nas Doenças Inflamatórias Intestinais?
Remissão é o estado em que a atividade inflamatória está controlada.
Nas Doenças Inflamatórias Intestinais, isso envolve, por exemplo:
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Redução ou ausência de sintomas
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Normalização de marcadores inflamatórios
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Ausência de lesões ativas no intestino
Dessa forma, de acordo com diretrizes internacionais publicadas pela European Crohn’s and Colitis Organisation, portanto, o objetivo atual do tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais vai além do controle dos sintomas, buscando também a cicatrização da mucosa intestinal e o controle sustentado da inflamação para reduzir complicações a longo prazo.
Importante:
Remissão não significa cura. Dessa forma, as Doenças Inflamatórias Intestinais são condições crônicas e exigem acompanhamento contínuo, mesmo quando o paciente está sem sintomas aparentes.
Tipos de remissão nas Doenças Inflamatórias Intestinais
A abordagem atual é baseada no conceito treat-to-target, portanto, é recomendado por entidades internacionais como a European Crohn’s and Colitis Organisation.
Remissão clínica
Ocorre quando o paciente apresenta:
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Ausência de dor abdominal relevante
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Redução significativa da diarreia
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Ausência de sangramento retal
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Melhora da fadiga
Embora seja um bom sinal, não garante controle completo da inflamação.
Remissão bioquímica
Confirmada por exames laboratoriais como:
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Proteína C reativa (PCR)
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Hemograma
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Calprotectina fecal
A calprotectina fecal é um dos principais biomarcadores para monitorar atividade das Doenças Inflamatórias Intestinais.
Remissão endoscópica
Confirmada por colonoscopia ou exames de imagem.
Indica ausência de ulcerações ou lesões inflamatórias visíveis. Portanto, também chamada de cicatrização da mucosa (mucosal healing).
Além disso, a remissão endoscópica está associada a:
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Menor risco de hospitalização
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Redução da necessidade de cirurgia
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Menor progressão da doença
Posso estar sem sintomas e ainda ter inflamação?
Sim.
Alguns pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais apresentam inflamação subclínica, ou seja, inflamação detectável em exames, mas sem sintomas evidentes.
Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento periódico é fundamental.
Segundo a Crohn’s & Colitis Foundation, o controle apenas baseado em sintomas pode ser insuficiente para prevenir complicações a longo prazo.
Quais sinais indicam perda de remissão?
A perda de remissão pode ocorrer mesmo após períodos prolongados de estabilidade.
Fique atento a:
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Retorno da diarreia frequente
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Presença de sangue nas fezes
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Dor abdominal persistente
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Perda de peso involuntária
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Fadiga intensa
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Aumento da calprotectina fecal
Portanto, esses sinais indicam possível reativação das Doenças Inflamatórias Intestinais.
Por que é importante manter o tratamento mesmo em remissão?
Dessa forma, interromper o tratamento por conta própria pode levar a:
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Reativação inflamatória
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Formação de estenoses (estreitamentos)
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Desenvolvimento de fístulas (especialmente na Doença de Crohn)
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Maior risco de hospitalização
Dessa forma, o controle sustentado reduz significativamente complicações estruturais.
Tratamentos utilizados para manter a remissão
Dessa forma, o manejo das Doenças Inflamatórias Intestinais pode incluir:
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Aminossalicilatos
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Corticoides (uso limitado e controlado)
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Imunossupressores
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Terapias biológicas
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Moléculas alvo-específicas mais recentes
A escolha do tratamento nas Doenças Inflamatórias Intestinais depende, por exemplo, de
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Tipo da doença
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Extensão intestinal
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Gravidade
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Resposta prévia a medicamentos
Qualidade de vida e remissão nas Doenças Inflamatórias Intestinais
Nesse sentido, a remissão sustentada está associada a:
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Melhor desempenho profissional;
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Redução de internações;
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Maior estabilidade emocional;
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Menor impacto social.
As Doenças Inflamatórias Intestinais não afetam apenas o intestino, mas também a saúde mental e a qualidade de vida do paciente.
Perguntas frequentes sobre Doenças Inflamatórias Intestinais e remissão
Remissão significa que estou curado?
Não. As Doenças Inflamatórias Intestinais são crônicas. Portanto, remissão significa controle da inflamação.
Quanto tempo posso permanecer em remissão?
Varia de acordo com o tipo da doença e adesão ao tratamento.
Posso reduzir a medicação se estiver bem?
Além disso, qualquer ajuste deve ser feito com orientação médica especializada.
Conclusão
Alcançar e manter a remissão é o principal objetivo no tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais. Portanto, o monitoramento clínico, laboratorial e endoscópico permite avaliar se a inflamação está realmente controlada e reduzir o risco de complicações futuras.
Com acompanhamento adequado, é possível conviver com Doenças Inflamatórias Intestinais de forma mais estável e segura.
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