Fissura Anal: Quando a Dor Não Melhora e o Que Fazer

A fissura anal é um pequeno corte na região do ânus que, apesar de parecer simples, pode causar dor intensa e persistente. Em muitos casos, surge após evacuações endurecidas ou constipação; além disso, pode estar ligada a esforço excessivo, inflamações locais ou hipertonia do esfíncter anal. Segundo a Cleveland Clinic, essa condição é relativamente comum, pode afetar pessoas de diferentes idades e requer atenção médica para evitar complicações.

Sinais e Sintomas da Fissura Anal 

Entre os sintomas mais comuns estão dor aguda durante e após as evacuações, sangramento leve ao limpar a região e uma sensação constante de ardência ou incômodo. 

Embora muitas fissuras cicatrizem sozinhas, algumas viram crônicas, em que o corte não se recupera e causa dor repetida. Identificar sinais de piora e buscar avaliação médica cedo é fundamental para evitar complicações e garantir que o paciente receba o cuidado mais adequado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a avaliação precoce melhora significativamente o prognóstico e reduz a chance de progressão da fissura. 

Impactos da Fissura Anal na Rotina e na Qualidade de Vida 

Conviver com uma fissura anal crônica pode afetar profundamente a rotina e o bem-estar. A dor intensa durante as evacuações faz muitas pessoas evitarem ir ao banheiro por medo do desconforto.

Esse comportamento, porém, tende a agravar a constipação e aumentar a pressão na região anal, criando um ciclo contínuo de dor e dificuldade.

Esse desconforto não se limita ao momento da evacuação. Tarefas simples, como sentar, trabalhar no computador, fazer atividades domésticas, praticar exercícios ou ficar muito tempo em pé, podem se tornar desafiadoras.

A sensibilidade local, junto ao risco de sangramentos e irritações recorrentes, leva o paciente a adaptar postura, movimentos e até hábitos alimentares.

Muitas vezes, a pessoa evita refeições pesadas ou reduz alimentos por medo da dor, prejudicando o funcionamento intestinal.

Muitas vezes, negligenciam a dimensão emocional que acompanha os impactos físicos. Por se tratar de uma condição que afeta uma região íntima, é comum que o paciente sinta vergonha de falar sobre o problema, o que retarda a procura por atendimento especializado. Esse silêncio prolongado contribui para o agravamento do quadro e aumenta o sofrimento psicológico.

A dor, o constrangimento e as limitações diárias podem afetar a produtividade, o sono e a disposição social.

O paciente muitas vezes adia compromissos, evita sociais e reduz lazer por medo do desconforto, tornando a vida mais isolada. A sensação de frustração e o desgaste emocional tornam-se parte da rotina e, por isso, dificultam ainda mais o enfrentamento da doença.

No conjunto, a fissura anal crônica não é apenas um problema físico; além disso, ela impacta a saúde de forma ampla, física, emocional e social. Reconhecer esses desafios é essencial para buscar tratamento adequado e recuperar a qualidade de vida.

Cuidados e Abordagens Baseadas em Evidências para Fissura Anal Crônica 

Segundo o artigo publicado pela National Library of Medicine, os conceitos e evidências atuais mostram que a fissura anal crônica está fortemente relacionada ao aumento da contração do esfíncter anal interno. A fissura anal crônica geralmente acontece porque o músculo do ânus fica muito contraído, mesmo quando a pessoa está em repouso. Esse “aperto” constante aumenta a pressão no local e diminui a circulação de sangue na região da fissura, o que faz com que ela tenha mais dificuldade para cicatrizar. 

Por isso, as principais recomendações médicas para cuidar da fissura anal crônica incluem, além disso:

Avaliação especializada com coloproctologista: é essencial que um profissional avalie se a fissura é aguda ou crônica e oriente o plano terapêutico mais adequado para o caso. 

Medidas conservadoras: banhos de assento com água morna, uso de laxantes e suplementos de fibras, bem como garantias de boa hidratação e ajustes na rotina intestinal essas intervenções visam tornar as evacuações mais suaves e menos traumáticas. Estudos mostram que banhos de assento e ingestão de fibras estão entre as abordagens iniciais recomendadas. 

Tratamentos tópicos e farmacológicos para relaxar o esfíncter: Pomadas com vasodilatadores ou relaxantes musculares, que reduzem o tônus do esfíncter interno, podem diminuir a pressão anal, melhorar o fluxo sanguíneo e ajudar na cicatrização.

Intervenções cirúrgicas quando indicadas: em fissuras crônicas que não respondem ao tratamento conservador ou farmacológico, nesse caso, procedimentos como a Lateral Internal Sphincterotomy (LIS) são considerados o padrão-ouro, pois diminuem de forma sustentada o tônus do esfíncter interno e aumentam as chances de cicatrização definitiva.

Acompanhamento periódico e individualização do tratamento: cada caso deve ser avaliado de forma personalizada considerando fatores como duração dos sintomas, tolerância a tratamentos e risco de complicações e acompanhado regularmente para monitorar a evolução da cicatrização e prevenir recidivas ou efeitos adversos. 

O Papel do Acompanhamento ao Longo do Tempo 

As pessoas não devem tratar a fissura anal crônica como algo passageiro ou inevitável. O acompanhamento adequado ajuda a evitar complicações como formação de papilas hipertrofiadas, espessamento do tecido ou até infecções secundárias. Profissionais de saúde também auxiliam no ajuste de hábitos que favorecem a cicatrização e orientam quando é necessário considerar alternativas adicionais de manejo. 

Segundo o Ministério da Saúde, condições com dor persistente exigem acompanhamento para que o paciente preserve a qualidade de vida e continue suas atividades essenciais.

 

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