Sentir uma dor intensa ao evacuar não é normal. Portanto, muitas pessoas acreditam que esse desconforto é causado apenas por hemorroidas, mas, em alguns casos, essa dor pode ser causa de uma fissura anal.
Na maioria dos casos, a fissura anal pode ser tratada sem cirurgia, com mudanças na alimentação, aumento da ingestão de água e medicamentos prescritos pelo médico. Porém, quando a lesão não cicatriza, reaparece com frequência ou se torna crônica, a cirurgia pode ser a melhor opção para aliviar os sintomas e favorecer a recuperação.
Neste artigo, você vai entender de forma simples quando a fissura anal precisa de cirurgia, quais são os tratamentos disponíveis, como é o procedimento e quando procurar ajuda médica.
O que é uma fissura anal?
Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), a fissura anal é uma pequena “rachadura” ou corte na pele que reveste o canal anal. Apesar de parecer uma lesão simples, ela pode causar muita dor, especialmente durante e após a evacuação.
A fissura normalmente surge quando é feito faz muito esforço para evacuar ou elimina fezes muito ressecadas e endurecidas, além de episódios frequentes de diarreia, inflamações na região anal e até o parto também podem favorecer o aparecimento da fissura.
Quais são os sintomas da fissura anal?
De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS), os sintomas da fissura anal costumam ser bastante característicos. Os principais sinais incluem:
- Dor intensa durante a evacuação;
- Dor que pode permanecer por minutos ou até horas após evacuar;
- Sangramento vermelho vivo no papel higiênico ou nas fezes;
- Ardência ou sensação de queimação na região anal;
- Sensação de corte ou ferida no ânus;
- Contração involuntária da musculatura anal (espasmo do esfíncter).
Em alguns casos, a intensidade da dor pode levar a pessoa a evitar evacuar, favorecendo a retenção das fezes e a prisão de ventre, o que pode dificultar a cicatrização da fissura.
A fissura anal sempre precisa de cirurgia?
Não. Essa é uma das principais dúvidas de pessoas que recebem esse diagnóstico. A indicação do tratamento depende da avaliação médica, considerando o tempo de evolução da fissura, os sintomas e a resposta aos tratamentos iniciais.
Na maioria dos casos, especialmente quando a fissura é recente, o tratamento clínico pode ser suficiente para promover a cicatrização, sem a necessidade de cirurgia.
O tratamento normalmente inclui:
- Alimentação rica em fibras;
- Aumento da ingestão de água;
- Banhos de assento com água morna;
- Uso de pomadas ou medicamentos prescritos pelo médico;
- Controle da prisão de ventre.
Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de a fissura cicatrizar completamente.
Quando a fissura anal precisa de cirurgia?
Os médicos indicam a cirurgia quando os tratamentos convencionais não resolvem o problema ou quando a fissura se torna crônica.
Veja as principais situações em que isso pode acontecer.
Quando a fissura não cicatriza
Consideramos a fissura anal crônica quando a ferida permanece aberta por mais de 6 a 8 semanas, mesmo com o tratamento adequado.
Nessa fase, a cicatrização espontânea se torna mais difícil, e a cirurgia pode oferecer melhores resultados.
Quando a dor continua muito intensa
Algumas pessoas convivem com dor intensa por semanas ou meses. Quando esse sintoma persiste mesmo após o tratamento, o médico pode avaliar a necessidade de cirurgia para aliviar o espasmo da musculatura e favorecer a cicatrização.
Quando a fissura volta várias vezes
Há pacientes que melhoram por um tempo, mas voltam a apresentar fissuras repetidamente.
Nesses casos, a cirurgia pode reduzir significativamente o risco de novos episódios.
Como é a cirurgia para fissura anal?
O procedimento mais realizado é chamado de esfinterotomia lateral interna, conforme descrito pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) como uma das principais abordagens cirúrgicas para o tratamento da fissura anal crônica.
Apesar do nome complicado, o objetivo é simples: reduzir a tensão do músculo que fica ao redor do ânus, permitindo que o sangue circule melhor na região e que a fissura cicatrize.
É uma cirurgia considerada segura e com altas taxas de sucesso quando realizada por um cirurgião colorretal experiente.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento médico se você apresentar:
- Dor intensa ao evacuar;
- Sangramento anal frequente;
- Sintomas que persistem por mais de algumas semanas;
- Dor que impede a evacuação;
- Fissuras que aparecem repetidamente.
É importante lembrar que nem toda dor ou sangramento anal é causado por uma fissura. Outras doenças também podem provocar sintomas semelhantes, por isso procure um profissional de saúde para avaliar os sintomas.
Perguntas frequentes
A fissura anal pode cicatrizar sozinha?
Sim. Muitas fissuras recentes cicatrizam com mudanças na alimentação, aumento da ingestão de água e tratamento orientado pelo médico.
Quanto tempo demora para uma fissura cicatrizar?
As fissuras agudas costumam melhorar em algumas semanas. A lesão passa a ser considerada crônica quando permanece por mais de 6 a 8 semanas.
A cirurgia é o único tratamento?
Não. Os médicos costumam indicar a cirurgia apenas quando o tratamento clínico não apresenta os resultados esperados.
A cirurgia dói?
Pode haver desconforto no pós-operatório, mas muitos pacientes relatam que a dor causada pela fissura diminui rapidamente após o procedimento.
Conclusão
Por fim, a fissura anal possa causar bastante dor e desconforto, muitas vezes a cirurgia não é necessária. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitas pessoas conseguem se recuperar apenas com medidas clínicas.
Quando a fissura não cicatriza, retorna com frequência ou compromete a qualidade de vida, a cirurgia pode ser a opção mais eficaz para aliviar os sintomas e promover a cicatrização.
Se você apresenta dor ou sangramento ao evacuar, procure um médico. Diagnosticar a fissura precocemente aumenta as chances de um tratamento simples e bem-sucedido.
Participe do Estudo
A Science Valley está convidando pessoas que possuem fissura anal crônica para participar de um estudo. Se você quer ajudar saber mais sobre como participar, clique aqui e deixe seu contato. Sua participação contará com acompanhamento médico especializado.


