O câncer pode aumentar o risco de trombose, uma complicação que pode acontecer em diferentes momentos da doença e do tratamento. Neste conteúdo, você vai entender por que esse risco aumenta, quais são os principais tipos de trombose, os sinais de alerta e como ela pode ser prevenida.
Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica. O acompanhamento profissional é fundamental para avaliar os riscos e definir a conduta mais adequada para cada paciente.
Câncer pode aumentar o risco de trombose?
Sim. Pessoas com câncer apresentam maior risco de desenvolver trombose, incluindo a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o câncer é um dos fatores que aumentam o risco de formação de coágulos sanguíneos.
O risco pode estar relacionado ao próprio câncer e a situações associadas ao tratamento. Cirurgias, hospitalização, determinados tratamentos contra o câncer e períodos prolongados de imobilidade podem aumentar a possibilidade de formação de coágulos
Mas isso não significa que toda pessoa com câncer terá trombose. O risco muda de acordo com cada caso e deve ser avaliado pela equipe médica. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomenda que o risco de tromboembolismo venoso seja avaliado individualmente e periodicamente em pessoas com câncer.
Por que o câncer pode causar coágulos?
Para a formação de coágulos depende de vários mecanismos do organismo.
Alguns tipos de câncer podem fazer com que o sangue fique mais fácil de formar coágulos. Além disso, o próprio câncer e alguns tratamentos podem aumentar esse risco.
Por isso, outros fatores podem contribuir, como:
- cirurgias;
- internações hospitalares;
- períodos prolongados de imobilidade;
- determinados tratamentos contra o câncer;
- presença de doença avançada;
- histórico anterior de trombose;
- outros fatores individuais relacionados à coagulação.
O Ministério da Saúde também reconhece a presença de tumores malignos como um dos fatores associados ao risco de trombose.
Quais tipos de trombose podem acontecer?
Quando se fala em trombose relacionada ao câncer, estamos principalmente falando de tromboembolismo venoso (TEV).
Ele inclui duas condições principais:
Trombose venosa profunda
A trombose venosa profunda é um coágulo de sangue se forma em uma veia mais profunda, geralmente nas pernas.
Pode provocar:
- inchaço em uma das pernas;
- dor ou sensibilidade;
- sensação de peso;
- aumento da temperatura na região;
- vermelhidão ou alteração da coloração da pele.
Embolia pulmonar
A embolia pulmonar acontece quando um coágulo de sangue se solta e chega até os pulmões.
Alguns sinais de alerta incluem:
- falta de ar repentina;
- dor no peito;
- respiração acelerada;
- sensação de desmaio;
- tosse, podendo haver presença de sangue.
O tratamento do câncer aumenta o risco de trombose?
Em algumas situações, sim.
O risco de trombose pode aumentar durante alguns períodos do tratamento oncológico, principalmente quando existem outros fatores associados, como cirurgia, hospitalização ou redução importante da mobilidade.
Por isso, a avaliação não deve considerar apenas o diagnóstico de câncer. O médico também analisa o tipo de tumor, tratamento realizado, histórico clínico e outros fatores de risco.
A ASCO recomenda avaliar regularmente o risco de formação de coágulos em pessoas com câncer, principalmente no início do tratamento e durante internações.
Toda pessoa com câncer precisa tomar anticoagulante?
Não.
Esse é um ponto importante: ter câncer não significa automaticamente que a pessoa precise usar anticoagulantes.
A prevenção com medicamentos deve ser indicada de acordo com a avaliação individual do risco de formação de coágulos e do risco de sangramento.
Segundo a ASCO, não é necessário usar medicamentos para prevenir coágulos em todas as pessoas com câncer. Para quem tem maior risco, o médico pode avaliar se alguma medida de prevenção é necessária.
Como identificar uma possível trombose?
Nem todo coágulo provoca sintomas, mas alguns sinais merecem atenção.
Uma perna que fica mais inchada, dolorida ou quente, principalmente quando a alteração acontece em apenas um dos lados, pode ser um sinal de trombose venosa profunda.
Já sintomas como falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio podem estar relacionados a uma embolia pulmonar e precisam de atendimento médico urgente.
O diagnóstico não deve ser feito apenas pelos sintomas. O médico pode solicitar exames de imagem e exames laboratoriais para confirmar ou descartar a presença de um coágulo.
É possível prevenir a trombose durante o tratamento do câncer?
Em muitos casos, é possível reduzir o risco, mas a estratégia depende da situação de cada paciente.
Algumas medidas podem incluir:
- avaliação individual do risco de trombose;
- evitar períodos prolongados de imobilidade quando possível;
- movimentação conforme orientação da equipe médica;
- prevenção medicamentosa em pacientes selecionados;
- cuidados específicos antes e depois de determinadas cirurgias;
- acompanhamento médico durante o tratamento.
Em pacientes com câncer submetidos a cirurgias de grande porte, por exemplo, as diretrizes da ASCO recomendam medidas de prevenção contra tromboembolismo quando não existem contraindicações.
Câncer e trombose: quando procurar ajuda?
A presença de sintomas relacionada à trombose ou embolia não deve ser ignorada, principalmente durante o tratamento de um câncer.
Procure atendimento médico imediatamente diante de sinais como falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou tosse com sangue.
Também é importante comunicar à equipe de saúde qualquer inchaço, dor ou alteração repentina em uma das pernas.
Quanto mais cedo uma possível trombose é investigada, mais rapidamente a equipe médica pode definir a conduta adequada.
Informação e acompanhamento fazem diferença
A relação entre câncer e trombose é importante porque o risco de formação de coágulos pode aumentar durante diferentes momentos da jornada do paciente oncológico.
Reconhecer os fatores de risco e os sinais de alerta permite que possíveis complicações sejam investigadas rapidamente.
Se você está em tratamento contra o câncer e percebeu sintomas que podem estar relacionados a uma trombose, converse com sua equipe de saúde.
Esse conteúdo não substitui o acompanhamento médico.
Participe do Estudo
A Science Valley está convidando pessoas que convivem com Câncer para participar de um estudo. Se você quer ajudar saber mais sobre como participar, clique aqui e deixe seu contato. Sua participação contará com acompanhamento médico especializado.


