Estresse pode piorar doenças inflamatórias intestinais?

Quem convive com uma Doença Inflamatória Intestinal (DII) sabe que os sintomas podem variar ao longo do tempo. Embora o estresse não cause a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, ele pode contribuir para a piora dos sintomas e afetar a qualidade de vida.

Isso ocorre devido à conexão entre cérebro e intestino, conhecida como eixo cérebro-intestino, que influencia o sistema imunológico e o funcionamento intestinal.

Neste artigo, você entenderá como o estresse pode impactar as doenças inflamatórias intestinais, quais sintomas podem piorar e quais cuidados ajudam no controle da doença.

O que são as doenças inflamatórias intestinais?

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são doenças crônicas que causam inflamação no trato gastrointestinal. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, seu desenvolvimento está relacionado à interação entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais.

O estresse causa doenças inflamatórias intestinais?

Essa é uma das dúvidas mais pesquisadas na internet.

A resposta é não. De acordo com a European Crohn’s and Colitis Organisation, não há provas de que o estresse cause a Doença de Crohn ou a Retocolite Ulcerativa.

As doenças inflamatórias intestinais podem acontecer por diversos motivos, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. O estresse não causa essas doenças, mas pode agravar os sintomas e favorecer períodos de maior atividade da inflamação em algumas pessoas.

Como o estresse afeta o intestino?

Quando enfrentamos situações de estresse, o organismo ativa mecanismos de defesa que envolvem a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina.

Essas substâncias provocam alterações em diversos órgãos, inclusive no intestino.

Entre os principais efeitos estão:

  • mudanças no funcionamento do intestino;
  • aumento da sensibilidade à dor;
  • alterações nas bactérias que vivem naturalmente no intestino;
  • alterações na barreira de proteção do intestino;
  • mudanças na forma como o sistema imunológico reage.

Em pacientes com DII, essas alterações podem ajudar o aparecimento ou a intensificação dos sintomas.

Além disso, o estresse prolongado pode dificultar hábitos importantes para o controle da doença, como alimentação equilibrada, sono adequado e adesão ao tratamento.

Quais sintomas podem piorar com o estresse?

Cada paciente apresenta uma resposta diferente.

Mesmo assim, alguns sintomas costumam aparecer com maior frequência durante períodos de maior estresse emocional.

Entre eles estão:

  • aumento da dor abdominal;
  • diarreia;
  • urgência para evacuar;
  • cólicas;
  • fadiga intensa;
  • perda do apetite;
  • distensão abdominal;
  • piora da qualidade do sono.

É importante destacar que uma piora dos sintomas nem sempre significa aumento da inflamação intestinal.

Em alguns casos, o estresse torna o intestino mais sensível, aumentando a percepção da dor e do desconforto mesmo quando a doença permanece controlada.

Somente o médico pode identificar se existe atividade inflamatória por meio da avaliação clínica e de exames.

Ansiedade e depressão também podem influenciar a doença?

Sim. Estudos mostram que pessoas com Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa apresentam maior frequência de ansiedade e depressão quando comparadas à população geral. Essas condições podem estar relacionadas ao impacto da doença na rotina, ao medo de novas crises, às limitações sociais e às internações ou cirurgias em alguns casos.

Ao mesmo tempo, sintomas de ansiedade e depressão também podem contribuir para pior percepção dos sintomas, redução da qualidade de vida e menor adesão ao tratamento. Por isso, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode fazer parte do cuidado integral ao paciente.

Como reduzir os efeitos do estresse nas doenças inflamatórias intestinais?

Embora não seja possível eliminar completamente o estresse da vida cotidiana, algumas estratégias podem ajudar a reduzir seus impactos.

Pratique atividade física

Exercícios físicos regulares contribuem para o controle do estresse, melhoram o humor e favorecem o bem-estar geral. A intensidade deve ser adaptada à condição clínica de cada paciente.

Cuide da qualidade do sono

Dormir adequadamente ajuda na recuperação do organismo, no equilíbrio hormonal e na regulação do sistema imunológico.

Faça acompanhamento psicológico

A psicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias para lidar com ansiedade, medo das crises e mudanças na rotina.

Invista em técnicas de relaxamento

Práticas como mindfulness, meditação, yoga e exercícios respiratórios podem contribuir para reduzir os níveis de estresse.

Não interrompa o tratamento

Mesmo durante períodos sem sintomas, os medicamentos devem ser utilizados conforme orientação médica.

Suspender o tratamento por conta própria pode aumentar o risco de novas crises.

Alimentação e estresse: existe relação?

O estresse também pode modificar hábitos alimentares.

Algumas pessoas passam a consumir alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura, enquanto outras apresentam perda importante do apetite.

Embora nenhum alimento isoladamente cause doenças inflamatórias intestinais, manter uma alimentação equilibrada, orientada por um profissional de saúde, pode contribuir para o controle dos sintomas e para a manutenção do estado nutricional.

Quando procurar atendimento médico?

Pacientes com doenças inflamatórias intestinais devem procurar atendimento médico quando apresentarem:

  • diarreia persistente;
  • sangue nas fezes;
  • febre;
  • dor abdominal intensa;
  • perda significativa de peso;
  • sinais de desidratação;
  • piora importante dos sintomas.

O tratamento precoce pode reduzir complicações e favorecer um melhor controle da doença.

A pesquisa clínica traz novas possibilidades para pacientes com DII

Nas últimas décadas, a pesquisa clínica transformou o tratamento das doenças inflamatórias intestinais.

Diversos medicamentos atualmente utilizados na prática clínica foram desenvolvidos e avaliados em estudos clínicos conduzidos com rigor científico e seguindo normas éticas internacionais.

Atualmente, novas terapias continuam sendo investigadas para melhorar o controle da inflamação, reduzir os sintomas e oferecer alternativas para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis.

Dependendo dos critérios de inclusão de cada estudo, a participação em uma pesquisa clínica pode representar uma oportunidade de acesso a tratamentos inovadores, sempre com acompanhamento de equipes especializadas e monitoramento contínuo da segurança dos participantes.

Conclusão

O estresse não causa a Doença de Crohn nem a Retocolite Ulcerativa, mas pode influenciar a evolução dessas condições ao favorecer a piora dos sintomas e aumentar o risco de episódios de atividade da doença em alguns pacientes.

Por isso, o tratamento das doenças inflamatórias intestinais deve considerar não apenas o controle da inflamação, mas também aspectos relacionados à saúde mental, à qualidade do sono, aos hábitos de vida e ao suporte multiprofissional.

Se você convive com uma DII e percebe que os sintomas se intensificam durante períodos de estresse, converse com seu médico. Uma abordagem integrada pode contribuir para um melhor controle da doença e para uma melhor qualidade de vida.

Participe do Estudo

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