Colesterol alto não é um problema exclusivo de adultos. Crianças e adolescentes também podem apresentar níveis elevados de colesterol, e em alguns casos a causa pode estar relacionada à genética.
Quando o colesterol está alto mesmo em crianças que não apresentam hábitos alimentares inadequados ou outros fatores de risco, é importante investigar a possibilidade de uma condição hereditária, como a hipercolesterolemia familiar.
Criança pode ter colesterol alto?
De acordo com o National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), crianças também podem apresentar níveis elevados de colesterol. A alimentação, a falta de atividade física, o excesso de peso e algumas condições de saúde podem contribuir para alterações nos níveis de colesterol.
Além disso, fatores genéticos podem influenciar o colesterol, incluindo condições hereditárias como a hipercolesterolemia familiar. Por isso, quando uma criança apresenta colesterol elevado, é importante conversar com um profissional de saúde para investigar as possíveis causas e definir o acompanhamento adequado.
O colesterol alto pode ser hereditário?
Sim. De acordo com a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, a hipercolesterolemia familiar (HF) é uma condição genética que pode causar níveis elevados de colesterol LDL desde o nascimento. A doença está relacionada, principalmente, a alterações em genes envolvidos na remoção do LDL do sangue, como o LDLR, APOB e PCSK9. Por isso, crianças com níveis persistentemente elevados de LDL podem precisar de investigação para verificar a possibilidade de hipercolesterolemia familiar.
O que é hipercolesterolemia familiar?
A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma condição genética que pode passar de pais para filhos e fazer com que o colesterol LDL fique alto.
Diferentemente do colesterol elevado relacionado principalmente aos hábitos de vida, quem tem HF pode apresentar níveis altos de LDL mesmo com uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
A condição é relativamente comum: estima-se que a forma frequente da HF, chamada heterozigótica, afete cerca de 1 em cada 200 a 500 pessoas. Muitas pessoas, porém, não sabem que têm a condição.
Como saber se o colesterol alto da criança pode ser genético?
Não existe apenas um sinal que confirme que o colesterol alto é causado por genética. O médico considera diferentes informações, como:
- níveis de colesterol LDL;
- histórico familiar de colesterol elevado;
- familiares que tiveram doenças cardiovasculares em idade mais jovem;
- resultados de exames anteriores;
- histórico de saúde da criança;
- presença de outras condições que possam aumentar o colesterol.
Quando existe suspeita de hipercolesterolemia familiar, o médico pode solicitar exames adicionais e, em alguns casos, investigação genética.
Ter colesterol alto significa que a criança tem uma doença genética?
Não necessariamente.
O colesterol elevado pode ter diferentes causas. Por isso, um exame alterado não significa automaticamente que a criança tenha hipercolesterolemia familiar.
A interpretação deve ser feita por um profissional de saúde, considerando a idade da criança, os níveis de colesterol, o histórico familiar e outros fatores.
Por que identificar o colesterol alto ainda na infância é importante?
Quando uma criança apresenta níveis elevados de LDL, especialmente quando isso está relacionado a uma condição genética, a exposição ao colesterol elevado pode acontecer durante muitos anos.
A identificação precoce permite que a família receba orientação médica e que a criança seja acompanhada de acordo com suas necessidades.
Além disso, quando existe suspeita de hipercolesterolemia familiar, a avaliação de outros familiares também pode ser considerada.
Seu filho tem colesterol alto? Converse com um médico
Se o exame do seu filho apresentou colesterol elevado, não é preciso tirar conclusões apenas pelo resultado.
O primeiro passo é conversar com o pediatra ou outro profissional de saúde para entender o resultado e avaliar se é necessário investigar possíveis causas.
Em algumas situações, crianças e adolescentes com colesterol elevado podem também ser avaliados para participação em estudos clínicos.
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